Uma mandíbula minúscula, um enorme ponto de interrogação

12

Lepidosauromorfos são estranhos. Sabemos como eles são agora. Lagartos, cobras, o tuatara na Nova Zelândia. Eles estão por toda parte. Diversificado. Bem-sucedido. Mas suas raízes? Obscuro. Profundamente obscuro.

Digite Cargninia enigmatis. Pequeno. Triássico Superior. Sul do Brasil. Ele viveu há cerca de 225 milhões de anos, compartilhando um mundo de terra com os primeiros dinossauros e os primeiros parentes dos crocodilos. Não é glamoroso. Provavelmente não é rápido. Apenas existindo.

Em 2010, alguém encontrou um fragmento. Um fragmento de maxilar inferior. Foi isso. Apenas um pedaço de osso. Os paleontólogos tiveram que adivinhar onde essa criatura se encaixava. Eles pensaram que talvez fosse um lagarto. Talvez um primo do Icarosaurus, alguma coisa kuehneosaurídeo dos EUA. Mas os dentes nem sempre contam toda a história. Eles fazem isso?

A nova descoberta também é uma mandíbula. Lado esquerdo. Menos de 9 milímetros de comprimento. Parece insignificante. Não é.

O fragmento preserva doze dentes. As evidências sugerem que o animal tinha até dezoito anos apenas na mandíbula inferior. Os pesquisadores não apenas olharam para isso. Eles escanearam. A tecnologia Micro-CT remove as camadas, revelando o interior sem quebrar o osso.

Eles rastrearam o nervo trigêmeo.

Aqui está o chute. O padrão de ramificação neste fóssil de 225 milhões de anos parece quase idêntico aos nervos dos lepidossauros modernos. Significa que Cargninia sentiu o seu ambiente – provou o ar, sentiu a pressão – de uma forma que podemos reconhecer hoje. A fiação sensorial já estava lá. Estabelecido. Ancestral.

“Cargninia enigmatica Provavelmente percebeu seu ambiente… de uma maneira comparável à de seus parentes existentes.”

Os computadores calcularam os números. A análise filogenética analisou os dados. O resultado foi claro, embora talvez não seja o que as pessoas esperavam.

Cargninia não é um lepidossauro. É um lepidosauromorfo. Ele fica no galho antes da divisão. A linhagem tronco. Representa uma divergência inicial, um passo no caminho em direção às cobras e às iguanas, mas ainda não chegou lá. Um fantasma na máquina.

Isso muda a forma como vemos a árvore. A árvore genealógica.

Foi originalmente descrito em 20The 0. Um dentário fragmentário. Agora, com tecnologia melhor e mais reflexão, o posicionamento muda. Isso corrobora velhas suposições, com certeza. Mas ver é diferente de saber. O padrão nervoso confirma isso.

O artigo chega ao The Anatomical Record. Dra. Lísie Vitoria Soares Damke e sua equipe fizeram o trabalho. Encontraram essa coisa no sítio da Linha São Luiz, Faxinal do Soturo. RioGrande do Sul. Brasil.

Então aqui estamos. Com uma mandíbula de 9 mm e uma melhor compreensão dos nervos antigos. Achamos que sabemos onde isso se encaixa. Não lepidossauro. Linhagem tronco. Fim das origens do Permiano levando à confusão do Triássico.

Mas a evolução raramente fornece linhas claras. Dá fragmentos. Maxilas. Dentes. E muita especulação silenciosa. Mapeamos a árvore. Mas os galhos se movem. Talvez da próxima vez encontrem o resto do animal.

Provavelmente não.

Mas se o fizerem.

Попередня статтяOs livros didáticos de química acabaram de perder a camisa
Наступна статтяAI descobriu a forma secreta da água super-resfriada