Terceiro planeta encontrado. Ou melhor, revelado. Estava sempre lá, apenas escondido atrás do brilho.
O alvo é Beta Pictoris, uma estrela no Pictor a cerca de 63 anos-luz de distância. Jovem. Quente. Pesa 1,8 vezes o nosso Sol, mas tem apenas 20 milhões de anos. Isso é praticamente um recém-nascido em termos estelares. Ao seu redor gira um disco de gás e poeira, junto com corpos semelhantes a cometas. E dois planetas gigantes que já conhecíamos. Beta Pictoris b e Beta Pictoris c.
Mas agora há um terceiro. Eles chamam isso de Beta Pictoris d.
Acidentes fazem bons astrônomos
O Dr. Ben Sutlieff, da Universidade de Edimburgo, nem sequer queria procurar um novo mundo.
Ele estava estudando Beta Pictoris b. Apenas verificando como isso muda com o tempo. Coisas de rotina. Mas quando ele e seus colegas examinaram as imagens, viram outra coisa. Um ponto fraco separado de b. Algo inesperado.
Foi real?
Para provar que não era apenas ruído, a equipa verificou o arquivo do ESO. Observações anteriores. Anos de dados. E aí estava. Escondido em imagens que remontam a onze anos. Uma vez que estava tão escuro que mal se podia dizer que existia em comparação com o brilho do seu vizinho maior.
“Encontrei você”, disse a Dra. Jayne Birkry, de Oxford.
A coisa mais fraca ainda
Beta Pictoris d é um gigante gasoso. Como Júpiter ou Saturno, mas com uma diferença.
Fica muito mais longe que os outros. Sua órbita é ampla. O próprio planeta é pesado – cerca de 2,4 vezes a massa de Júpiter. Isso parece grande até você perceber como é difícil identificá-lo.
Está frio. Desmaiar. Explodido pela estrela.
É 100 vezes mais escuro que Beta Pictoris b.
O Dr. Markus Bonse do ESO observa que isto o torna o exoplaneta mais tênue já fotografado diretamente do solo. Isso não é pouca coisa. A maioria dos telescópios terrestres tem a sorte de ver gigantes brilhantes perto de suas estrelas. Este é distante e tímido.
Duas equipes. Um céu.
Eles capturaram-no com o ERIS montado no Very Large Telescope do ESO. Detecção clara.
Mas espere. Outra equipe também viu.
Um grupo independente liderado por Aidan Gibbs na UC San Diego avistou o mesmo mundo. Eles usaram o Telescópio Espacial James Webb. Ferramenta diferente. Mesmo resultado.
Por que isso importa?
Beta Pictoris é um laboratório. Um playground para descobrir como os sistemas planetários se formam. Como eles evoluem. Adicionar outro planeta à lista muda a narrativa.
Os artigos acabaram de ser publicados no Astrophysical Journal Letters. Dois estudos. Uma história.
O sistema já era fascinante com dois planetas e um disco de detritos. Agora tem três mundos imaginados. Apenas o segundo sistema conhecido com tantos planetas visíveis.
Talvez haja mais por aí. Apenas esperando.





















