Outubro de 1976. A estreia de Richard Dawkins chega às prateleiras. Cinquenta anos depois, ainda está à venda. Também em mais de 30 idiomas. Para um livro sobre genes, isso é uma loucura. Geralmente esse material acumula poeira. Ou pelo menos foi o que aconteceu até então.
Começou frio. Fevereiro. Eu era um editor comissionado na OUP, lendo um rabisco de um físico chamado Roger Elliott. Um de seus próprios acadêmicos, um certo Dr. Dawkins. Escrevendo um livro popular. Intitulado O gene egoísta.
“Não tenho ideia se ele é bom, mas pode valer a pena investigar.”
Duas semanas. Foi quanto tempo esperei. Então comecei os rascunhos. A primeira página me agarrou pelo casaco. Realmente me agarrou. Eu não precisava da segunda página. Ou o terceiro.
Eu estava acabado.
O momento inebriante de um editor. Você conhece o sentimento. Atinge seu intestino antes que seu cérebro o alcance. Eu tinha certeza. As ondas estavam chegando. Iria vender. Duro.
Liguei para os gerentes das filiais. Globalmente. A urgência é uma coisa poderosa. Meu argumento de venda? Esqueça a “ciência”. Esqueça “popular”. É uma virada de página. Um suspense. Aposto qualquer coisa, leia isto. Tente parar. Contadores? Eles vão ler. Packer está no chão? Eles vão devorá-lo. Secretários. Vendedores. Todo o maldito escritório.
“Esqueça a ciência, popular, caso contrário. Pense neste livro. Legível. Atraente.”
O título quase o matou.
Eu adorei. Da nota de Elliott, The Selfish Gene. Singular. Problema? Os críticos argumentaram. Singular implica um ladino. Um mau ator em um campo de normais. Um erro. Sugira que eles escolheram Nossos Genes Egoístas. Dawkins disse não. Teria optado pelo plural, Os Genes Egoístas. Mas ele queria singular.
Depois houve Desmond Morris. Ele do Naked Ape. Ele empurrou The Gene Machine.
Eu odiei isso.
A Máquina Genética. Estéril. Frio. Neutro. Esconde a verdade. A questão não é a máquina. É o egoísmo. O comportamento. A máquina não lhe diz por que as peças se trituram. Apenas descreve as engrenagens.
Mais tarde, em 2013, Dawkins ficou nostálgico. Um apetite por maravilhas. Ele escreve sobre o encontro com Tom Maschler, editor. Jônatas Cabo. Maschler leu os capítulos. Gostei da carne. Não gostei do nome.
“‘Egoísta’, ele me explicou, palavra a palavra. Por que não Immortal Gene? Em retrospectiva, estava muito certo.”
Dawkins concorda com Maschler. Acha que deveria ter ouvido. O Gene Imortal. Parece seguro. Parece respeitoso. Parece chato.
Estou dizendo isso sem hesitação: Richard está errado.
A imortalidade não é a história. O egoísmo é. O choque. A picada. Você se lembra disso.





















