A urticária crónica de uma adolescente canadiana, que surgia sempre que a sua pele entrava em contacto com água, foi finalmente diagnosticada como urticária aquagénica – uma alergia extremamente rara à própria água. O caso destaca as dificuldades na identificação de reações alérgicas incomuns e a importância da história detalhada do paciente no diagnóstico.
Sintomas iniciais e desafios de diagnóstico
A paciente teve urticária pela primeira vez na época em que começou a menstruar, dois anos antes. Independentemente da temperatura ou fonte da água (chuveiros, piscinas, chuva), vergões e manchas vermelhas (1-3 cm de largura) apareceriam em 20 minutos, desaparecendo após 30-60 minutos sem tratamento. Notavelmente, suor ou lágrimas não desencadearam a reação.
Isso representou um desafio porque a urticária é comumente causada por contato ou ingestão de alérgenos. A resposta imunitária habitual – libertação de histamina após a exposição – não explicava claramente porque é que a água por si só causaria uma reacção. Os testes de alergia padrão para poeira, gatos e coelhos deram negativo para sobreposição com urticária induzida pela água. O paciente também não apresentou outros sintomas alérgicos, como tonturas ou dificuldades respiratórias.
Diagnóstico confirmado por meio de testes de provocação
Após uma tentativa fracassada com anti-histamínicos, os médicos realizaram um teste de provocação. A exposição da pele do paciente à água em condições controladas confirmou a reação: surgiram vergões em 20 minutos, solidificando o diagnóstico de urticária aquagênica.
Esta condição é excepcionalmente incomum; apenas cerca de 100 casos foram documentados. A causa subjacente permanece desconhecida, embora surja frequentemente durante a puberdade e apareça com mais frequência em mulheres. Isso torna difícil identificar o gatilho porque a urticária pode ser induzida por pressão, temperatura, exercício ou alérgenos mais típicos.
Tratamento e gerenciamento de longo prazo
O tratamento inicial com montelucaste (um medicamento para asma) ofereceu alívio moderado, mas não resolveu o problema. O paciente respondeu bem à cetirizina diária, um anti-histamínico direcionado aos sintomas alérgicos. Depois de oito meses, os sintomas só voltaram quando ela perdeu as doses.
No acompanhamento de 14 meses, a adolescente relatou não ter restrições nas atividades diárias e ter uma qualidade de vida estável, desde que continuasse tomando cetirizina. Isto demonstra que, embora rara, a urticária aquagénica pode ser tratada de forma eficaz com a medicação certa.
O caso ressalta quão cruciais são a história detalhada do paciente e os testes de exposição direta ao lidar com reações alérgicas atípicas. O que parece ser uma alergia simples às vezes pode apontar para condições quase únicas na literatura médica.





















