Por que planetas semelhantes a Tatooine são raros em nossa galáxia

11

O icônico pôr do sol gêmeo de Tatooine de Star Wars não é apenas ficção científica. Planetas orbitando duas estrelas, chamados planetas circumbinários, existem na Via Láctea. No entanto, os astrónomos encontraram muito menos do que o esperado, e um novo estudo sugere que a teoria da relatividade geral de Einstein pode ser a culpada.

Os planetas desaparecidos: uma anomalia estatística

Dado que cerca de 10% dos sistemas estelares únicos hospedam planetas, os cientistas previram uma taxa semelhante para os 3.000 sistemas estelares binários conhecidos na nossa galáxia. Isso significaria cerca de 300 planetas circumbinários. No entanto, apenas 14 foram confirmados entre os mais de 6.000 exoplanetas descobertos até agora. Esta discrepância intrigou os investigadores, levando-os a explorar a física subjacente.

O papel da relatividade geral e do caos orbital

A nova pesquisa, liderada por Mohammad Farhat da UC Berkeley, aponta para a interação caótica da gravidade em sistemas binários. As duas estrelas orbitam uma à outra de forma elíptica, e qualquer planeta capturado na sua dança gravitacional experimenta uma mudança lenta e em espiral na sua órbita – um processo chamado precessão.

Crucialmente, as próprias estrelas também entram em precessão devido aos efeitos da relatividade geral. À medida que as estrelas se aproximam ao longo do tempo, a sua precessão acelera, enquanto a do planeta abranda. Quando essas taxas se alinham, a órbita do planeta torna-se perigosamente esticada.

Desestabilização e Ejeção

Esta ressonância cria extrema instabilidade orbital. De acordo com o estudo, ou o planeta espirala para dentro e é despedaçado pelas estrelas, ou é totalmente expulso do sistema. Este efeito é particularmente pronunciado em sistemas binários compactos, onde as estrelas orbitam muito próximas (períodos de uma semana ou menos).

Por que podemos estar sentindo falta deles

O estudo também destaca um potencial viés observacional. As atuais missões de caça a planetas, como o Kepler e o TESS, são mais eficazes na localização de planetas em sistemas binários compactos, exatamente aqueles onde a instabilidade é maior. Isto significa que a falta de detecções pode não ser devida a uma escassez real, mas sim ao facto de estes planetas terem vida curta ou serem difíceis de observar.

Em última análise, a Via Láctea poderá abrigar centenas ou milhares de mundos semelhantes a Tatooine. O desafio agora é refinar os nossos métodos de busca para detectá-los antes que a gravidade os destrua ou os lance no espaço interestelar.

попередня статтяA defesa da velocidade: por que a medicina deve repensar o progresso lento